Em um movimento considerado histórico para a Igreja Católica e para o debate global sobre tecnologia, o Papa Leão XIV publicou sua primeira encíclica, intitulada “Magnifica Humanitas” (“Magnífica Humanidade”), documento que traz fortes críticas ao avanço descontrolado da Inteligência Artificial e ao poder concentrado das grandes empresas de tecnologia.
A encíclica, apresentada oficialmente pelo Vaticano nesta semana, coloca a Igreja Católica no centro das discussões sobre ética digital, trabalho humano, democracia e uso da tecnologia no século 21.
Segundo o pontífice, a Inteligência Artificial não pode ser tratada como uma ferramenta “neutra”. Para ele, algoritmos carregam interesses, valores e ideologias de quem os cria e financia. O Papa afirma que a concentração de dados e poder tecnológico nas mãos de poucas corporações globais representa riscos para a humanidade, podendo aumentar desigualdades sociais, manipular informações e enfraquecer processos democráticos.
O documento também faz um forte apelo pelo que chamou de “desarmamento da IA”, comparando os riscos tecnológicos atuais aos debates históricos sobre armas nucleares. O Papa defende que a tecnologia deve servir ao ser humano e não substituir sua dignidade, consciência e capacidade crítica.
Entre os principais pontos da encíclica estão:
* Críticas ao domínio das Big Techs sobre dados e algoritmos;
* Defesa de regulamentações internacionais para Inteligência Artificial;
* Preocupação com demissões automatizadas e substituição de trabalhadores;
* Condenação ao uso militar da IA em guerras;
* Alertas sobre manipulação digital, fake news e vigilância tecnológica;
* Defesa da transparência algorítmica e auditorias independentes;
* Proteção da dignidade humana diante da automação crescente.
O Papa também destacou que decisões importantes, como concessão de crédito, direitos sociais ou demissões, não podem ser entregues exclusivamente a sistemas automatizados “sem compaixão”. Segundo ele, o progresso tecnológico precisa permanecer subordinado ao bem comum e à valorização da vida humana.
Especialistas já consideram o texto uma das manifestações mais contundentes já feitas por um líder religioso sobre os impactos da Inteligência Artificial na sociedade moderna. A encíclica também reforça a posição do Vaticano como uma voz ativa nas discussões globais sobre ética tecnológica e futuro da humanidade.