Uma nova categoria de diabetes, conhecida como diabetes tipo 5, vem ganhando destaque na comunidade científica após ser oficialmente reconhecida pela Federação Internacional do Diabetes (FID). A condição, associada à desnutrição prolongada durante a infância e adolescência, ainda divide opiniões entre especialistas e não é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Diferentemente dos tipos mais conhecidos da doença, o diabetes tipo 5 estaria relacionado ao desenvolvimento inadequado do pâncreas em decorrência da subnutrição crônica. Embora os pacientes ainda produzam insulina, a quantidade é insuficiente para controlar adequadamente os níveis de açúcar no sangue.
Segundo pesquisadores, a condição pode afetar milhões de pessoas, principalmente em regiões da África Subsaariana e da Ásia, onde os índices de desnutrição infantil permanecem elevados. No entanto, estudos recentes também apontam crescimento de casos semelhantes em pessoas com baixo peso corporal em outros países.
A discussão ganhou força após relatos de pacientes que não responderam adequadamente aos tratamentos convencionais. Em alguns casos, o uso das doses padrão de insulina pode provocar episódios graves de hipoglicemia, colocando a vida do paciente em risco.
Foi o que aconteceu com Noella Mukumbi, de 30 anos, natural da República Democrática do Congo. Inicialmente diagnosticada com diabetes tipo 1, ela passou a apresentar fortes reações ao tratamento com insulina. Após nova avaliação médica, especialistas concluíram que seu quadro possivelmente se enquadra no diabetes tipo 5.
Após a redução da dose de insulina e a introdução de outros medicamentos, Noella relata melhora significativa na saúde, recuperação do peso e redução dos sintomas.
Apesar do reconhecimento pela FID em 2025, a OMS afirma que ainda não existem evidências científicas suficientes para classificar a condição como um tipo independente de diabetes. Especialistas destacam que faltam exames específicos e critérios diagnósticos padronizados para confirmar a doença.
Atualmente, um grupo internacional de pesquisadores trabalha no desenvolvimento de protocolos de diagnóstico e tratamento. A expectativa é que novas pesquisas possam esclarecer as características da condição e auxiliar na identificação de pacientes que podem estar recebendo tratamentos inadequados.
O debate ocorre em um momento de preocupação global com a insegurança alimentar. Cientistas alertam que crises humanitárias, conflitos armados e o aumento da fome em diversas regiões podem contribuir para o crescimento de casos associados à desnutrição nos próximos anos.